Após diversos pedidos para se aprofundar mais no assunto e escrever sobre as mudanças e atualizações que podem ter acontecido no caso envolvendo o Elon Musk e o Governo brasileiro, decidi separar uma segunda parte para o artigo no intuito de me aprofundar ainda mais nas questões antes abordadas, como também apresentar os desdobramentos. Caso você não tenha lido a parte I, aqui esta: BYD x Tesla Desde a recente Ascenção da BYD, a Tesla enfrentou uma queda significativa em suas ações, recuando mais de 33% no ano, marcando uma das maiores quedas do índice Nasdaq (a segunda maior para ser mais exato). O desempenho negativo das ações da Tesla pode ser atribuído a vários fatores, incluindo o menor crescimento da empresa e o aumento da concorrência no mercado, especialmente com a ascensão das montadoras chinesas. Além disso, a qualidade dos carros produzidos pela Tesla tem sido motivo de preocupação, contrastando com sua reputação anterior. A empresa foi alvo de críticas devido a problemas de segurança e qualidade, como a redução do tamanho das pinças de freio do Modelo Y Performance, a queda na qualidade do material usado para constituir o interior e carroceria, além dos atrasos significativos no lançamento do Tesla Roadster e da Cybertruck. O Tesla Roadster, por exemplo, enfrenta atrasos significativos desde sua promessa inicial em 2012, gerando apreensão entre os clientes que já fizeram reservas e pagamentos antecipados pelo carro. Quanto à Cybertruck, seu lançamento foi marcado por falhas de segurança, resultando em sua proibição na Europa devido a seu peso, falta de segurança estrutural e ao risco que seu design representa em caso de colisão. Além disso, a qualidade geral da Cybertruck foi questionada, com relatos de painéis desalinhados e enferrujados, desempenho abaixo do esperado em termos de potência e capacidade de manobra, e um interior abaixo do esperado para um veículo que tem seu valor variando entre 70.000 USD e 100.000 USD. Enquanto isso, para efeitos de comparação, a ascensão da BYD no último ano foi extremamente surpreendente. A BYD ultrapassou a Tesla e se tornou o maior fornecedor mundial de veículos elétricos movidos a bateria no quarto trimestre de 2023, com uma margem substancial de 526.000 unidades vendidas em comparação com as 484.000 unidades da Tesla. A BYD foi destaque mais uma vez nas vendas globais de automóveis em agosto. A montadora chinesa ficou na quarta posição entre os fabricantes, superando a Ford e encostando na terceira colocada, Honda. Mas novamente, vamos entrar mais especificamente no porquê e como o Brasil está ligado a isso. Me acompanhe. A BYD, anunciou recentemente um aumento significativo em seus investimentos no Brasil. O aporte inicial de R$ 3 bilhões foi ampliado para R$ 5,5 bilhões, representando um aumento impressionante de 83%. Esse investimento bilionário reflete o compromisso da BYD com o mercado brasileiro e sua missão de impulsionar a mobilidade sustentável no país. Os recursos serão direcionados para a construção de uma fábrica de última geração no Complexo Industrial de Camaçari, na Bahia. Com capacidade inicial para produzir 150 mil veículos elétricos por ano, a fábrica tem potencial para aumentar para 300 mil unidades em uma segunda fase. Prevê-se que a produção local comece entre 2024 e 2025, o que promete gerar milhares de empregos diretos e indiretos. Além da fábrica, a BYD também investirá em pesquisa e desenvolvimento, na criação de uma rede de concessionárias e na infraestrutura de recarga para veículos elétricos. Além disso, a BYD fechou um acordo com o Governo Federal para expandir a produção de baterias de veículos pesados na Zona Franca de Manaus (AM). Esse acordo, conhecido como Processo Produtivo Básico (PPB), foi acertado com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. “A eletrificação da frota de ônibus é um processo irreversível. A BYD, empresa pioneira em tecnologia sustentável e que nasceu como uma fábrica de baterias, não poderia ficar de fora deste momento e o PPB vai ajudar na aceleração deste processo”, afirmou Alexandre Baldy, conselheiro especial da BYD, à imprensa. Esses investimentos atraíram o interesse de diversas outras montadoras para o Brasil, totalizando R$ 100 bilhões em investimentos no Brasil , um recorde histórico! Esse valor representa um aumento significativo em relação aos investimentos anteriores e demonstra a confiança das empresas no potencial do mercado brasileiro. alguns dos principais investimentos anunciados por montadora: Stellantis (Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e RAM): R$ 30 bilhões Volkswagen: R$ 16 bilhões Toyota: R$ 11 bilhões General Motors: R$ 7 bilhões Renault: R$ 5,1 bilhões BYD: R$ 5,5 bilhões Great Wall Motors: R$ 10 bilhões O Ouro Branco A Mina de lítio em Araçuaí (MG) desponta como uma das principais faces da batalha entre a BYD e Tesla envolvendo o Brasil, ela é uma oportunidade crucial para atender à crescente demanda por carros elétricos