O primeiro debate presidencial foi algo, no mínimo, vergonhoso. O ex-presidente Donald Trump, atual candidato do Partido Republicano para a disputa de 2024, não se conteve nas mentiras e adotou um tom ácido e agressivo, evocando discursos infamemente conhecidos da direita, como afirmações genéricas e reafirmações sem citar nomes, como o famoso “você pode perguntar para qualquer um” ou “é claro que todo mundo se lembra”. Já Joe Biden, o atual presidente dos Estados Unidos e candidato do Partido Democrata, demonstrou dificuldades desde o início da discussão, embolando palavras, gaguejando desproporcionalmente, tremendo e não conseguindo nem mesmo manter a boca fechada para não engolir moscas enquanto aguardava Trump terminar sua fala, parecendo literalmente uma múmia ao longo de todo o debate. Além disso, Biden também mentiu diversas vezes e quando o assunto foi Ucrânia x Rússia ou Israel x Palestina, assim como Trump, ele também não abandonou seu discurso agressivo e não conciliador. Uma crítica também vai para os mediadores, que pareceram inertes ao longo de todo o debate, não incitando respostas, não contradizendo nenhuma afirmação e não estabelecendo limites claros. Foram literalmente reprodutores de perguntas e nada mais, terríveis e nulos de participação. Foi decepcionante ver um debate presidencial tão crucial para o futuro dos Estados Unidos se desenrolar dessa maneira. A falta de civilidade e o tom beligerante dos candidatos apenas polarizaram ainda mais um eleitorado já dividido. Enquanto Trump recorreu às suas habituais táticas de confronto e desinformação, Biden não conseguiu transmitir a firmeza e a clareza necessárias para contrapor de maneira eficaz. Além disso, a ausência de mediação efetiva deixou os candidatos livres para propagar suas narrativas sem contestação significativa. Os mediadores falharam em estabelecer um ambiente de debate construtivo, onde ideias pudessem ser discutidas e contrastadas de maneira justa e equilibrada. O resultado desse debate levanta preocupações sobre o futuro da democracia americana, especialmente quando líderes políticos não conseguem apresentar um diálogo substantivo e respeitoso diante de questões cruciais que afetam não apenas os Estados Unidos, mas também o cenário internacional. É essencial que os próximos debates e eventos eleitorais sejam conduzidos de maneira mais responsável e que os mediadores exerçam um papel mais ativo na promoção de um debate informado e esclarecedor para os eleitores. Agora, vamos abordar alguns tópicos específicos discutidos durante o debate. Sufoco Econômico Para mim, o verdadeiro debate começou com as perguntas sobre sufoco econômico. Trump assumiu seu caráter agressivo e mentiroso, evocando conquistas de seu governo que nunca realmente aconteceram. Afinal, estive vivo e me lembro exatamente de como era sua gestão nos EUA; muitos de nós devem se lembrar. Não houve nenhum alívio econômico em sua gestão, apenas um agravamento do isolamento norte-americano diante do mundo. Biden também não abandonou a mentira. Se pudermos passar pelas suas palavras gaguejadas e sua voz fraca, tudo o que falou se limitou a propostas que nunca realmente trouxeram alívio verdadeiro para a economia americana. E os números que mencionou sobre alívio econômico em bilhões nos próximos 5 ou 10 anos não batem nem mesmo perto da dívida pública norte-americana, que ultrapassa 34 trilhões de dólares. Trump x Biden — NATO No que diz respeito à NATO, os adversários apresentaram propostas e discursos diferentes. Biden permaneceu a favor da aliança e não emitiu críticas, mantendo a posição de que os Estados Unidos devem liderar o grupo, justificando os altos gastos, investimentos e presença militar. Por outro lado, Trump mencionou seu período como presidente, afirmando que gostaria de retornar a uma liderança semelhante, com os Estados Unidos na vanguarda, mas destacou a necessidade de maior contribuição dos países europeus. Ele argumentou que, dado que o principal adversário da NATO, a Rússia, está mais próxima da Europa do que dos EUA — que, nas palavras de Trump, estão a um oceano de distância — os países europeus devem aumentar significativamente seus investimentos e esforços na aliança. Trump também mencionou a possibilidade de os Estados Unidos considerarem abandonar a NATO caso os países membros se recusem a aumentar suas contribuições. Crise na Fronteira A fronteira e a crise na imigração foram outros temas abordados. A crítica foi principalmente dirigida a Biden, pois são suas políticas que têm gerado todo o caos nos EUA. Biden respondeu que não considera a situação uma crise, argumentando que houve uma diminuição nas entradas ilegais, o que não está incorreto, já que em sua gestão ele flexibilizou as leis de imigração e planeja reduzir o número de imigrações ilegais para zero nos próximos quatro anos, o que implica em mais flexibilização das leis. Por outro lado, Trump propôs de forma agressiva o retorno de todos os imigrantes para fora