O Sentimento Antipatriótico Sim, eu sei o que você está pensando: um brasileiro antipatriota? Sei que, se você já conviveu com algum, talvez queira argumentar que isso está bem distante da realidade. Afinal, em uma conversa entre brasileiros, somente nós podemos criticar nosso próprio país, e qualquer um que ouse falar mal da nossa amada pátria pode se preparar para enfrentar o ser mais feroz e protetor que já pisou na Terra. Porém, hoje não vamos discutir esse tipo de patriotismo. Confesso que não sei bem como descrever sobre o que vamos falar, e posso ou não ter me deixado levar pela emoção neste artigo, mas peço que me acompanhe por um momento… O Brasil, com uma história que em breve ultrapassará 524 anos desde a chegada dos portugueses em suas costas, tem sido constantemente visto como uma “terra prometida”, rica em recursos e potencial econômico, o verdadeiro sonho americano que nunca foi no Norte. Este longo trajeto histórico é marcado por uma série de intervenções e influências estrangeiras, cada uma deixando sua marca na construção da identidade e do futuro do país. A partir da “descoberta” por Portugal em 1500, seguindo-se o interesse espanhol no século XVII, a influência britânica no século XVIII, e mais recentemente, a intervenção dos Estados Unidos, ou até mesmo as constantes tentativas de desestabilizações econômicas e políticas por países como Hungria e Israel, o Brasil tem sido frequentemente o foco de lutas pelo controle de suas valiosas reservas e economias. A história do Brasil é rica em episódios que demonstram a sua posição de “moça mais bonita do baile”, mas esta mesma atratividade trouxe consigo uma série de desafios. No século XVII, por exemplo, a corrida do ouro atraiu não apenas os colonizadores portugueses, mas também olhares invejosos de outras nações europeias, marcando o início de um longo período de exploração dos recursos naturais do país. Avançando para o século XX, a participação dos Estados Unidos no golpe de 1964, sob a justificativa de combater o comunismo na América Latina, é um exemplo claro de como interesses externos podem influenciar os rumos políticos e sociais de uma nação. Alegações mais recentes de interferência nas eleições brasileiras de 2018 pelo governo Trump acrescentam um capítulo contemporâneo a essa longa história de influência estrangeira, destacando a persistente vulnerabilidade do Brasil às agendas externas. Esta constante cobiça internacional não só moldou a trajetória política e econômica do Brasil, mas também cultivou um sentido de valorização do estrangeiro sobre o nacional. O reflexo dessa mentalidade pode ser observado na maneira como o brasileiro, muitas vezes, coloca os interesses de nações estrangeiras acima dos seus próprios ou até mesmo como age com descaso com os verdadeiros focos sobre sua própria política. Esta percepção é alimentada e perpetuada por uma série de fatores que vão desde a educação até a valorização cultural e científica, passando pela política e economia. A influência estrangeira no Brasil não se limita às suas riquezas naturais ou manobras políticas; ela permeia o tecido social e cultural da nação, influenciando a maneira como os brasileiros veem a si mesmos e ao mundo. A educação no Brasil, por exemplo, muitas vezes enfatiza narrativas globais ao invés da história e cultura locais. Um estudo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) revela que o currículo escolar brasileiro dedica uma parcela significativamente menor do tempo ao estudo da história e cultura brasileiras em comparação com a ênfase dada à história europeia e norte-americana. Isso significa que ao concluir sua educação básica, o estudante brasileiro detém um conhecimento mais profundo sobre os Estados Unidos e a Europa — abrangendo sua história, cultura, economia e política — do que muitos dos próprios cidadãos europeus e norte-americanos. Este desequilíbrio não só marginaliza o patrimônio cultural do Brasil, mas também contribui para uma percepção desde o nascimento até o desenvolvimento para a fase adulta do brasileiro de inferioridade e dependência cultural e educacional em relação ao exterior que não só desmotiva como também incapacita o brasileiro de se conectar verdadeiramente com o próprio país, e dar assim, um digno grau de importância para suas questões internas. No âmbito da ciência e tecnologia, o Brasil destaca-se como líder em diversas áreas de pesquisa e atuação, conforme demonstrei em artigos anteriores. Essa liderança, contudo, raramente é reconhecida internacionalmente. De acordo com dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o país sobressai na produção científica em setores ambientais e biomédicos. No entanto, essa excelência infrequentemente se reflete em reconhecimentos de prestígio global, como o Prêmio Nobel. Tal discrepância evidência não somente a desvalorização internacional do conhecimento produzido no hemisfério sul, mas também contribui para uma falta de valorização interna das realizações b