Venda Subvalorizada e a Única Proposta Aceita A privatização da Sabesp, um dos maiores ativos públicos de saneamento do Brasil, foi finalizada com uma única oferta recebida. Em um processo que deveria atrair concorrência, garantir transparência e alcançar o máximo valor possível para os cofres públicos, a Sabesp foi vendida a preço reduzido, refletindo uma avaliação muito inferior ao seu valor de mercado. A Equatorial Energia, que entrou sozinha na disputa, conseguiu arrematar 15% da companhia por R$ 67 por ação, um valor cerca de 10% menor que o preço de mercado das ações da Sabesp na época da negociação, estimado em torno de R$ 74,97. Essa diferença significativa levanta questionamentos sobre a falta de outras propostas e o processo de avaliação que levou à fixação desse preço. A Sabesp, avaliada como um dos maiores patrimônios do estado de São Paulo, vinha apresentando excelentes resultados financeiros nos últimos anos, com lucro anual de aproximadamente R$ 3,5 bilhões em 2023. Contudo, o governo paulista aceitou a proposta da Equatorial, sem promover um ambiente competitivo ou demonstrar esforço para obter um preço mais vantajoso. Um processo de privatização deveria envolver licitação rigorosa e atrair diferentes players do mercado, mas o resultado foi um cenário de monopólio na compra, com uma empresa sem concorrentes reais e com uma proposta inferior ao valor de mercado. Essa ausência de concorrência destaca um planejamento falho ou uma estratégia deliberada de venda a preço reduzido, o que limita a capacidade de maximizar os ganhos para os cofres públicos. A Equatorial conseguiu a participação na Sabesp com um custo relativamente baixo, considerando que o valor pago representa pouco mais de dois anos de lucro da própria companhia. Esse desfecho questionável gera dúvidas sobre a condução do processo pelo governo paulista, que se propôs a reduzir sua participação na Sabesp sem levar em conta o valor justo de uma empresa estratégica para o estado e o país. A justificativa apresentada pela administração pública para aceitar uma oferta abaixo do preço de mercado baseia-se na “segurança” de um investidor de referência, que supostamente traria novas práticas de governança e investimentos ao setor. No entanto, muitos especialistas contestam esse argumento, considerando que o papel da Sabesp já era fundamental para a infraestrutura e o desenvolvimento do estado, com resultados comprovados em sua trajetória de décadas de operação. Vender um patrimônio lucrativo e autossuficiente a uma empresa que oferece menos do que seu valor de mercado levanta questionamentos sobre as intenções reais por trás dessa privatização. Outro aspecto relevante é a natureza da Equatorial Energia, uma empresa de infraestrutura elétrica que tem pouca experiência no setor de saneamento. Com um histórico recente e limitado em saneamento básico, a Equatorial atuava apenas desde 2021 nesse setor, operando em um pequeno número de cidades. É notável que uma empresa com um histórico tão curto no setor de água e saneamento tenha sido considerada uma “opção de referência” para substituir uma estatal com décadas de expertise. A venda da Sabesp para um grupo com uma atuação incipiente no saneamento não só desvaloriza a própria Sabesp, mas também deixa em aberto a capacidade da Equatorial de honrar o compromisso com os serviços essenciais de água e esgoto. Experiência Limitada da Equatorial no Setor de Saneamento A Sabesp foi entregue a uma empresa cuja trajetória no setor de saneamento é questionável. A Equatorial Energia, mais conhecida por suas operações no setor de energia elétrica, tem pouca experiência no saneamento básico, tendo iniciado operações na área apenas em 2021, com concessões em algumas cidades do Amapá. Este breve histórico não é suficiente para justificar sua capacidade de substituir uma estatal que tem décadas de expertise e uma reputação consolidada no saneamento em São Paulo. A escolha por uma empresa com um currículo tão limitado é preocupante, pois coloca em risco a continuidade de serviços essenciais que a Sabesp vinha prestando com eficácia. Essa falta de experiência da Equatorial no saneamento é agravada pelos resultados de sua atuação no Amapá, onde os índices de qualidade de saneamento não mostram avanços significativos. Com um portfólio de operações essencialmente focado em energia elétrica e uma atuação incipiente em saneamento, a Equatorial deixa dúvidas sobre sua competência para gerenciar um sistema tão complexo quanto o da Sabesp. Esse histórico cria um contraste alarmante com a missão da Sabesp de universalizar o acesso à água potável e ao saneamento básico para a população de São Paulo, uma meta que demanda expertise técnica e uma visão de longo prazo que a Equatorial ainda não demonstrou. Os críticos da privatização apontam que a entrada de um novo controlador com pouca experiência no setor representa um risco direto para a qualidade e a sustentabilidade dos serviços de saneamento no estado de São Pau