Elon Musk, X e o Mundo Vamos discutir as declarações de Musk e seus minions enfurecidos sobre os pedidos de remoção de conteúdo da plataforma, algo que considera como uma medida antidemocrática. Musk alega que o Brasil lidera entre todos os pedidos, mas ao examinarmos a lista dos dez países que mais solicitaram remoções de conteúdo no X entre 2012 e 2021 (os dados de 2021 até 2024 não estão disponíveis já que Elon Musk proibiu a divulgação deste conteúdo), percebemos que o Brasil não está incluído. Mais uma vez, reforço que Elon Musk, proprietário da plataforma, acusa o Brasil de ser o pior lugar do mundo em termos de censura. Apesar de ser o quarto maior mercado do X (guarde essa informação, pois é importante e voltaremos a ela), o Brasil ocupa a 11ª posição em um ranking de 96 países em pedidos de remoção. Entre 2012 e 2021, foram enviadas à plataforma 1.228 solicitações de exclusão de postagens ou bloqueio de contas pelo Brasil, uma média de 123 solicitações por ano. Isso coloca o Brasil muito atrás de países como Japão, Turquia, Rússia, Índia e Coreia do Sul, que fizeram mais solicitações de remoção de conteúdo. Juntos, esses países concentram mais de 92% de todos os pedidos enviados à plataforma durante esse período. O ranking lista países que, nos últimos dez anos, fizeram pedidos de remoção à empresa. Mas calma, o Brasil está apenas na 11ª posição, então quem são os dez países, na visão de Elon Musk, que mais censuram no mundo e também são ditaduras disfarçadas comandadas por governos autoritários que reprimem a população? Afinal, se o Brasil é acusado de tudo isso e está na 11ª posição, imagina-se que os outros 10 à frente sejam 10 vezes piores, certo? Vamos aos fatos. Em primeiro lugar está o Japão (97.663), seguido pela Turquia (59.263), Rússia (55.605), Índia (21.330), Coreia do Sul (18.749), França (5.690), Paquistão (2.860), Indonésia (1.665), Estados Unidos (1.493) e Emirados Árabes (1.370). Note-se que a China, símbolo da ditadura para os apoiadores de Musk, nem sequer está na lista, pois o país baniu o X de seu território em 2009. Entendo que os dados disponíveis vão apenas até 2021, e estamos discutindo um assunto que se desenvolveu em 2024. No entanto, o acesso aos dados de 2021 a 2024 foi bloqueado pelo X. Elon Musk informou que a empresa não divulgará esses dados nos próximos anos e que a questão está em avaliação. Acho isso bastante irônico da parte dele, pois torna muito mais fácil fazer acusações diretas quando não há provas a favor ou contra. No entanto, considero importante mencionar isso no texto, pois mesmo se considerarmos o crescimento exponencial observado nos anos em que temos acesso aos dados do X, o Brasil ainda se manteria em uma posição positiva, fora do top 10, ou em uma posição negativa, entre os lugares 9 e 10 no ranking. Mas qual é a diferença do Brasil para o resto? Antes de iniciarmos essa análise, voltemos nosso foco para além dos pedidos de remoção e falemos sobre os processos em que o X tem se envolvido recentemente. Elon Musk versus a Europa A rede social X, conhecida anteriormente como Twitter, tem enfrentado várias críticas devido à forma como tem lidado com a desinformação e o discurso de ódio na plataforma. Nos últimos meses, a pressão sobre a empresa de Elon Musk aumentou, especialmente nos países da União Europeia, após a aprovação de uma nova legislação que regula as “big techs”. Insatisfeito com a nova Lei de Serviços Digitais da UE, aprovada em agosto de 2023, o bilionário está considerando tomar uma medida bastante drástica. Segundo o portal Business Insider, o proprietário da plataforma está cogitando retirá-la dos países do bloco europeu. A regulamentação em questão determina que empresas classificadas como “Grandes Plataformas Online” são legalmente responsáveis pelo conteúdo que os usuários publicam. Materiais contendo desinformação, violações de privacidade, conteúdos prejudiciais ou ilegais são passíveis de sanções. Na semana passada, o Comissário da UE para o Mercado Interno, Thierry Breton, notificou a rede social em uma investigação sobre uma suposta violação das diretrizes da Lei de Serviços Digitais. A investigação examinará uma alegada falha na moderação de conteúdo relacionada ao conflito entre Israel e Hamas. Em outro episódio, Musk foi criticado pela União Europeia, pelas Nações Unidas e por governos por ter banido contas de jornalistas na rede social. Elon Musk x Estados Unidos A ironia da suposta luta de Elon Musk pela liberdade se torna ainda mais evidente quando observamos que ele é consistentemente favorável à restrição da liberdade de outros que interferem em suas condutas agressivas e ilegais. Podemos ver esta questão no esforço de Elon Musk para processar o Center for Countering Digital Hate (CCDH) por um relatório que apontou a disseminação de discurso de ódio e desinformação em contas verificadas com selo azul no Twitter/X teve um desfecho desfavorável: um juiz federal na Califórnia, onde o processo foi instau