A história que vou contar agora é simplesmente insana. Eu mesmo, quando a ouvi, levei alguns minutos para realmente compreender o quão sem sentido eram os tempos antigos. Era como se estivéssemos presos em um enredo absurdo, onde a lógica e a razão eram jogadas pela janela em favor do medo e da ignorância. Às vezes, é difícil acreditar que esses eventos ocorreram em um passado não tão distante. Mas é precisamente por causa de histórias como essa que devemos continuar a questionar, a aprender e a evoluir. Afinal, é compreendendo o passado que podemos construir um futuro mais informado e justo. Uma Breve introdução A Peste Negra, uma das pandemias mais devastadoras da história humana, assolou a Europa no século XIV, dizimando aproximadamente um terço da população. Entre os muitos aspectos intrigantes e trágicos dessa era, a relação entre a epidemia, os gatos e as mulheres é algo que eu nunca esperei saber. A Peste Negra, ou peste bubônica, é causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida principalmente por pulgas que infestam ratos. No entanto, na época em que a peste ocorreu, as pessoas não tinham a menor ideia da causa. Como o mundo era (“era”, risos) amplamente governado pela Igreja, a resposta comum era que a peste era uma praga enviada por Deus para castigar a humanidade e puni-la pelos pecados. Fonte: https://www.nationalgeographic.com/science/article/how-the-plague-microbe-gave-fleas-a-chance Caso você não saiba e se questione sobre a presença dos ratos, a Europa da Idade Média (séculos V a XV) era um mundo muito diferente do que conhecemos hoje. As cidades eram frequentemente sujas, congestionadas e com péssimas condições de higiene. A falta de saneamento básico, como banheiros e sistemas de esgoto adequados, contribuía para a proliferação de doenças e a baixa expectativa de vida da população. Fonte: https://fernandofuao.blogspot.com/2019/01/a-cidade-pestilenta.html Banhos frequentes eram raros, a maioria das pessoas tomava banho apenas algumas vezes por ano, ou até mesmo uma vez na vida, pois acreditava-se que banhos frequentes enfraqueciam o corpo e o tornavam mais suscetível a doenças (eu sei, parece que o mundo está andando ao contrário). Além disso, o acesso à água potável era limitado, especialmente nas cidades, e as pessoas geralmente bebiam água de rios e poços contaminados, o que contribuía para a disseminação de doenças. O sabão como o conhecemos hoje não existia na Idade Média. As pessoas usavam diversos produtos para a higiene pessoal, como cinzas, argila e vinagre, mas esses produtos não eram tão eficazes quanto o sabão. Trocar de roupas frequentemente era incomum, as pessoas geralmente usavam as mesmas roupas por semanas ou até meses, sem lavá-las. Isso contribuía para o acúmulo de sujeira, parasitas e odores. A falta de higiene pessoal e a escassez de banhos facilitavam a proliferação de piolhos, pulgas e outros parasitas nas roupas e na pele das pessoas, e a falta de higiene das roupas também contribuía para a disseminação de doenças como tifo e sarampo. A maioria das cidades medievais não tinha sistemas de esgoto adequados. As pessoas faziam suas necessidades em fossas a céu aberto ou em rios e córregos. A falta de saneamento básico contaminava a água potável e contribuía para a disseminação de doenças como cólera e disenteria. As fossas a céu aberto e a falta de tratamento de esgoto geravam odores desagradáveis nas cidades, tornando a vida nas ruas desconfortável. A Igreja e a Peste Enviada por Deus Mas enfim, chegamos aonde quero chegar. Todos nós sabemos que existe uma demonização dos gatos, especialmente dos gatos pretos, que geralmente são associados ao satanismo ou à bruxaria. E sabemos também que as mulheres durante toda a Idade Média foram caçadas, afogadas e queimadas sob a acusação de bruxaria, segundo a Igreja. Mas você pode estar se perguntando: por que comecei falando sobre a Peste Negra, ratos e as condições de vida na Europa, e agora estou falando sobre gatos e bruxaria? Meu caro leitor, essa é uma das conexões mais impressionantes que já encontrei, uma bola curva que jamais pensei que veria. Acredite ou não, tudo isso está extremamente interligado. Será que você consegue adivinhar como? No cenário doméstico medieval, as mulheres solteiras, que geralmente se dedicavam ao estudo do herbalismo e da medicina, tinham gatos como animais de estimação. Sim, os gatos têm sido fiéis companheiros das solteiras desde sempre. Esses gatos não apenas proporcionavam companhia, mas também desempenhavam um papel prático ao caçar ratos e outras pragas, e geralmente eram mantidos dentro de casa. Consegue adivinhar para onde estou indo com isso? Durante o surto da Peste Negra, as mulheres que possuíam gatos dentro de suas casas frequentemente tinham menos incidência de doença, devido à diminuição da população de ratos, que eram os principais vetores da peste. A observação de que algumas mulheres não adoeciam enquanto a peste devastava suas comunidades levou a Igrej