A demissão de 70.000 funcionários públicos, conforme relatado por Milei nos últimos dias, reacende a chama das preocupações por se tratar de apenas uma parte de um “plano mais amplo que busca uma profunda reestruturação econômica e fiscal do país”. A estratégia de Milei, embora ambiciosa, levanta preocupações sobre sua sustentabilidade. Economistas frequentemente argumentam que mudanças profundas no tecido econômico de um país requerem não apenas implementação rigorosa, mas também aceitação e apoio tanto a nível local quanto internacional. A eliminação de empregos públicos em massa, a desregulamentação financeira, e a venda de empresas estatais são medidas drásticas que, embora possam trazer alívio fiscal de curto prazo, podem também erodir a confiança pública e desestabilizar a economia. A abordagem econômica liberal adotada pelo presidente Javier Milei, visando uma reestruturação profunda da economia e das finanças da Argentina, baseia-se na premissa de um mercado menos regulado e uma diminuição significativa do papel do Estado. No entanto, essa visão, em sua execução até o momento, parece paradoxalmente depender da desvalorização da nação e recursos estatais, essencialmente fundos públicos, para sua implementação. Este aspecto da política de Milei levanta questões críticas sobre a sustentabilidade e a equidade de tal abordagem. A venda de ativos estatais, a demissão massiva de funcionários públicos e a desregulamentação financeira propostas por Milei são medidas que, embora alinhadas com os princípios do liberalismo econômico, são financiadas pelo patrimônio do estado — ou seja, pelos recursos que pertencem à população. Adicionalmente, há uma preocupação crescente com a falta de medidas protetivas para a população durante este período de transição. As reformas, apesar de serem vendidas como uma necessidade para o crescimento e a estabilização econômica, são implementadas a um custo significativo para o povo. Este custo não se reflete apenas em termos econômicos, mas também no impacto social e na segurança do emprego para milhares de argentinos. A ausência de políticas compensatórias ou de apoio aos afetados pelas demissões massivas e pela privatização de serviços públicos revela um descaso com as consequências humanas dessas mudanças. Esse descaso para com a maior parte da população indica uma desconexão entre as reformas econômicas e as realidades sociais enfrentadas pelos cidadãos, exacerbando a desigualdade e a vulnerabilidade social em vez de abordá-las. Essa realidade traz à tona uma crítica central ao modelo proposto: enquanto se almeja uma economia mais liberal e autossuficiente, com menor intervenção estatal, os meios para alcançar tal fim são paradoxalmente derivados do capital e da infraestrutura públicos. Isso evidencia uma contradição inerente à política de Milei, na qual a construção de um sistema econômico liberal é forjada através da utilização intensiva de recursos estatais. Até o momento, não houve indicações claras de como o governo pretende recuperar ou reembolsar ao povo esses investimentos. A ausência de um plano para restituir ao público os recursos utilizados para fomentar o tal liberalismo econômico sugere uma desconsideração pelas finanças públicas e pelo bem-estar da população em geral. Neste contexto, a política econômica de Milei, mesmo que alcance o sucesso almejado de uma economia liberalizada, corre o risco de ser construída sobre uma base instável, marcada pela apropriação de recursos públicos sem um caminho claro para a recuperação desses investimentos pelo povo argentino. Essa estratégia não apenas questiona a legitimidade ética do uso dos recursos estatais nesse processo de transformação econômica, mas também coloca em dúvida a viabilidade a longo prazo de um sistema que se sustenta através da erosão do patrimônio público. O futuro econômico prometido, baseado na liberdade de mercado e na redução do papel do Estado, pode, portanto, revelar-se inatingível para a maioria da população, cujos interesses e bem-estar parecem ser secundarizados frente às ambições de uma reestruturação liberal. O apoio dos Estados Unidos e de Israel, embora valioso, pode não ser suficiente para sustentar a economia argentina no cenário proposto por Milei. A extinção do Banco Central e a desvalorização das estatais, deixando-as à mercê do mercado privado, podem levar a uma perda de credibilidade econômica. Em um mundo já assolado por guerras, conflitos e danos climáticos, essa falta de estabilidade interna pode afetar adversamente a posição da Argentina no cenário global. Ao criar uma dependência extrema de nações que já enfrentam seus próprios desafios, Milei pode estar colocando a Argentina em uma posição vulnerável. A dependência de ajuda externa ou de investimento estrangeiro como pilares de estabilidade econômica é arriscada; as prioridades geopolíticas podem mudar rapidamente, deixando a Argentina em uma posição precária. Portanto o plano de Milei de vender empresas estatais é vist