Na terça-feira, 07/11/2023, conforme reportado por diversas agências, incluindo UOL, CNN, Veja e OperaMundi, o Itamaraty comunicou aos diplomatas israelenses que a relação entre Brasil e Israel se tornaria insustentável caso algum dos 34 brasileiros atualmente detidos em Gaza fosse morto ou ferido durante o conflito em andamento. O Brasil, que tem buscado a repatriação desses cidadãos desde o início do conflito, já enviou transporte aéreo para o Egito em um esforço para facilitar o retorno de seus nacionais. Até a presente data, 10/11/2023, Tel Aviv aprovou e emitiu seis listas de autorização de saída para estrangeiros do país, mas nenhum dos 34 brasileiros está incluído nessas listas. Essa situação é considerada não apenas uma afronta à autoridade brasileira, mas também uma violação dos direitos humanos conforme garantidos por organizações mundiais. Isso decorre, em parte, da postura do Brasil em favor da criação de dois estados independentes, Israel e Palestina, e de sua condenação dos ataques israelenses à população palestina em Gaza, após os ataques do grupo Hamas, durante seu papel na presidência do conselho da ONU. A atual conjuntura não ocorre por acaso, pois as relações entre os dois países já estavam fragilizadas devido à nova integração do Irã, Arábia Saudita, Etiópia e Emirados Árabes ao grupo BRICS, ocorrida meses atrás. Além disso, a forte aproximação entre Rússia, China e Brasil tem incomodado diversos países, incluindo Israel. É importante notar que, apesar da fragilização das relações, os dois países mantêm oficialmente suas relações sem alterações desde as últimas cúpulas das Nações Unidas. Diante desse contexto, observamos o encontro entre o diplomata israelense em solo brasileiro e o ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrido na quinta-feira, 09/11/2023. Esse encontro tem gerado desinformação entre os canais de notícia e a população, com especulações sobre a “liberação” (que não ocorreu até a data deste artigo, Apesar de já se encontrarem na fronteira com o Egito e terem chegado dentro do horário combinado para liberação na manhã do mesmo dia) dos brasileiros detidos em Gaza no dia 10/11 em função desse evento. Esta culminação de desinformação a respeito da real ação, acredito que foi exatamente o alvo do governo israelense, que decidido a não colaborar com o Brasil desde o início do conflito, orquestrou este encontro pelas costas do governo brasileiro para gerar polarização e desinformação dentro da Política Nacional, visando um enfraquecimento da imagem do atual governo. Agora que já esta esclarecido, que qualquer liberação dos 34 brasileiros na faixa de gaza se dará em prol das conversas que o atual governo brasileiro tem tido com os representantes de Israel, e sabendo que alteramos o tom em relação ao descaso de Tel Aviv para com nossos pedidos. Olhemos para o encontro do diplomata israelita e o ex-presidente Jair Bolsonaro… Em nota oficial, o embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, afirmou que o ex-presidente Bolsonaro não foi “convidado” para o evento. Segundo Zonshine, o convite foi estendido apenas a parlamentares para uma apresentação de vídeos dos terroristas do Hamas, ocorrida em 7 de outubro. O embaixador esclareceu que a intenção era mostrar ao público brasileiro, por meio dos representantes parlamentares, o que aconteceu naquele dia. A falta de comunicação dos representantes israelenses sobre o evento, mesmo diante da polarização entre os representantes do governo brasileiro, levanta questionamentos sobre a organização prévia desse encontro. A reunião ocorreu sem o conhecimento ou permissão do Ministério de Relações Exteriores, o que, sob uma ótica internacional, viola gravemente as políticas e tratados internacionais. Quando um país envia um embaixador ou representante diplomático para outro país, espera-se que ele se comunique e participe de eventos oficiais apenas com o governo eleito daquele país. Desrespeitar essa regra pode resultar em problemas diplomáticos significativos, incluindo a possibilidade de um protesto formal do Brasil para Israel e a remoção dos representantes governamentais israelenses do solo brasileiro. E esta ação seria, em qualquer país, a única a ser tomada. No entanto, o governo brasileiro se vê em uma problemática muito delicada já que atualmente busca a liberação de seus cidadãos em Gaza, controlada atualmente por Israel e qualquer ação que possa prejudicar essa busca pode colocar em risco a segurança e o bem-estar dos 34 brasileiros em meio ao conflito.