Um Breve Comentário Decidi escrever este texto após me deparar, mais uma vez, com a famosa “crise de vira-lata” que ainda persiste no Brasil. Esse conceito, cunhado por Nelson Rodrigues, representa um complexo de inferioridade que muitos brasileiros possuem em relação ao próprio país. O episódio que despertou meu interesse foi a discussão contínua sobre quem realmente realizou o primeiro voo em um avião: Santos Dumont ou os irmãos Wright. O que mais me surpreendeu foi ver brasileiros defendendo fervorosamente os irmãos Wright, mesmo diante de todas as evidências que favorecem Santos Dumont. Os irmãos Wright não possuem reconhecimento internacional ou da Federação Aeronáutica Internacional como realizadores do primeiro voo. Não há registros que validem as alegações deles, e as tentativas de replicar seu suposto feito resultaram em falhas, como a queda pública de sua “pipa gigante” (me recuso a chamar aquilo de avião) mesmo após ser lançada por um sistema de estilingue. Em contraste, Santos Dumont é o único oficialmente reconhecido como criador do avião, embora a narrativa norte-americana tenha impregnado a mente global com a história dos Wright. Essa situação me entristeceu profundamente. A ignorância assume diversas formas, e hoje estamos tão manipulados que atacamos nossos próprios compatriotas para exaltar o exterior, sem ao menos conhecer nossa própria história. Somos como ovelhas cegas, guiadas para o abate ou para abater a nós mesmos. Isso é triste e desesperançoso, pois parece que o Brasil não conseguirá corrigir seu rumo tão brevemente. Talvez eu não viva para ver os brasileiros reconhecendo que somos, sim, um povo potente e digno de respeito, amor e reconhecimento. Precisamos aprender a nos amar, a discutir nossas diferenças e, acima de tudo, a ouvir uns aos outros em vez de apenas ouvir aqueles de fora. Um exemplo palpável disso, para além da discussão Santos Dumont x Irmãos Wright, é a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Por anos, eu acreditei que a FEB não era absolutamente nada, que era insignificante diante de toda a Segunda Guerra Mundial, uma força irrelevante que foi para a Europa apenas para limpar botas e servir de capacho. Afinal, foi isso que me contaram na escola durante todos os anos. Até mesmo meus melhores professores de história, heróis que considerei durante toda minha vida acadêmica, não se salvaram dessa complacência com a mentira. Essa é a narrativa que não só vivi na escola, mas também ouvi da mídia durante toda a minha vida. Foi só quando comecei a viajar pelo mundo que aprendi que isso não poderia estar mais longe da verdade. Na realidade, a FEB desempenhou um papel crucial na libertação da Itália fascista na luta contra o Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, o Brasil foi a única nação em toda a guerra que não perdeu sequer um único território. Lutamos para libertar os judeus e salvar o mundo do nazismo. Fomos responsáveis por enfraquecer o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) em todo o território sul, liberando as fronteiras para que os aliados pudessem chegar ao sul da Alemanha. Como brasileiro, não pude acreditar quando vi que existem diversos museus e registros exaltando a bravura brasileira. Era incrível perceber que eu era o único entre todos naquele momento que desconhecia esses fatos. Hoje, vejo discussões em que ninguém se dispõe a ouvir essas histórias porque não conseguem acreditar que o Brasil unido tenha tanta força. Mas é exatamente isso: o “Brasil Unido”. O perigo de histórias como essa é que elas mostram nosso poder, nossa vitória sobre qualquer adversidade ou dificuldade. Mostram que o Brasil, mesmo contra tudo e todos, é uma potência com força suficiente para superar qualquer outra. Os brasileiros unidos são um povo com força incomparável em todo o mundo, uma resiliência, expertise e adaptação inigualáveis que fazem os melhores tremerem só pela nossa presença. Reconhecer isso me fez entender por que somos tão separados. Por que o mundo conta nossas histórias com tantas mentiras e nos faz engolir diariamente uma quantidade absurda de desastres e maldades. Por que a mídia retrata o Brasil de forma tão negativa e por que nossos políticos trabalham incansavelmente para nos colocar para baixo. E sim, eu disse políticos, e já deixo claro que prefiro a morte a defender Bolsonaro, Lula ou qualquer outro político brasileiro. Digo aqui e agora: NÃO há um único que se salve! É impossível ignorar como a divisão entre nós é fomentada de maneira estratégica. A verdade é que nossa desunião serve a muitos interesses — tanto internos quanto externos. Quando olhamos para a educação, vemos um sistema que falha em ensinar nossa verdadeira história, perpetuando mitos que nos enfraquecem enquanto nação. A desinformação não é apenas uma falha, mas uma arma usada contra nós. A narrativa que exalta a inferioridade brasileira está profundamente enraizada, e sua perpetuação só serve para manter o status quo. A mídia tem um papel crucial nesse processo. As notíc